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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Sobre cadernos, vingança e menstruação

O que uma coisa tem a ver com as outras???

Eu tinha 9 anos. Estava na quarta-série. A Carol, aquela pentelha, ai... Vivia me zoando. Por tudo. Era uma baixinha realmente irritante. E eu, bocózinha, cabeluda, quatro olhos, nerd, cdf... A vítima perfeita. Não ficava simplesmente irritada, ficava magoada. Já tinha até apanhado dela, que devia ter a metade do meu tamanho.

Um belo dia, nunca vou descobrir por quê, ela me deu seu Caderno de Perguntas pra responder. Ué, eu??? Eu não era da patota, eu não era uma escolhida, eu não era popular. Fala sério, ela me odiava!!! Ou Não fiz questionamentos. Botei o caderno na mala e levei pra casa.

Mais tarde, em casa, na hora de responder... Aquela coceirinha na mão... Bem, eu despejei no caderno tudo o que estava entalado por tanto tempo de raiva guardada daquela menina. Eu dei um jeito de falar mal dela em quase todas as perguntas. Não lembro bem o que respondi. Só lembro que na clássica pergunta "Quem é sua melhor amiga?" - que geralmente era respondida com uma lista de nomes, pra não queimar o filme com as possíveis próximas respondedoras, e que invariavelmente incluía o nome da dona do caderno - eu respondi algo como "Você é que não é. Depois de tanto tempo me xingando e zoando comigo, você não ia querer que eu respondesse que era você, né?". E no final, no "Deixe um recado para a dona do caderno", eu deixei um recado dizendo que ela teve o que merecia e que enfim eu tinha me vingado dela. E ainda inclui uma risada malévola: "HA HA HA HA...".

Na manhã seguinte, dia de entregar o caderno, uma novidade me aguardava. Uma mancha estranha na minha calcinha. Há um ano e meio eu enfrentava um monte de médicos e discussões de por quê eu estava me desenvolvendo tão cedo e de com qual altura eu iria ficar; portanto, eu já já imaginava o que era aquilo. Contei pra minha avó, ela me deu um absorvente e fui pro banheiro tentar colocar. Tentei lembrar do que minha mãe (quenaquela hora estava no trabalho) tinha me ensinado, rapidamente e cheia de vergonha, algum tempo antes. "Você tira essa fitinha, gruda ali... Ei, pra que lado vai esse negócio grudento?". A coisa é pra ficar presa no seu corpo, certo? Logo, imaginei que o lado grudento era pra ficar virado pra cima, em contato com a pele. Terminei de me vestir e fui pro colégio.

Entreguei o caderno sem dizer nada. Fiquei de alma lavada. Mal podia esperar para que ela lesse e sentisse o efeito da minha vingança maligna. E se ela continuasse a usar aquele caderno, todas a próximas respondedoras leriam e saberiam quem de fato ela era. HA HA HA HA...

Na saída, minha mãe foi me buscar. O primeiro assunto, a menstruação. Ela disse que iria conferir se eu estava mesmo menstruada assim que chegássemos ao seu consultório (ela é dentista, me levava pro consultório depois do colégio e eu ficava lá com ela até o fim do expediente). O segundo assunto, o Caderno de Perguntas! Contei sobre minha vingança, feliz por estar compartilhando com alguém a minha conquista. "O quê??? Você fez isso no caderno da menina??? Você estragou o caderno dela!!! Ela dá o caderno pra você responder e você faz uma coisa dessas??? Isso não se faz!!!". Bem, se eu não sabia o significado de culpa até aquele dia, naquele exato instante eu descobri qual era. na hora já senti um desespero, um peso na barriga, um bolo no estômago, que eu nunca vou esquecer. Fiquei realmente nervosa.

Chegando ao consultório, mamãe foi conferir a minha menstruação. Não entendeu nada ao encontrar o absorvente virado de cabeça pra baixo, e deu risada da minha explicação. Mas era tão pouco sangue que estava ali, só um corrimentozinho, que ela disse que aquilo não era menstruação. Só no dia seguinte, com o aumento do fluxo, ela pôde afirmar que se tratava de fato da minha menarca. Naquela semana eu tinha lido que um estresse muito grande poderia causar a suspensão do fluxo menstrual. "Tá explicado", pensei eu, "fiquei muito nervosa quando a minha mãe brigou comigo por causa do caderno e parei de menstruar!". Assumi essa explicação como verdadeira até não muito tempo atrás.

E o dia seguinte foi dia também de comprar um caderno novinho em folha e levar de presente pra Carol. Logo que me viu, ela já foi dizendo "Pôxa, Thais, você se vingou, hein?". Não com raiva, nem me zoando. Acho que uma pontada tambgém de peso na consciência por tudo o que ela tinha feito comigo até então. Eu pedi desculpas e entreguei o caderno novo. Alguns dias depois, ela veio me entregar o caderno, com um jeito pensativo, ressabiado. "Dessa vez você não vai zoar?", perguntou. Respondi direitinho, como uma mocinha. Acabamos nos tornando amigas, convivendo pacificamente e atré trocando alguns segredinhos, até que a Carol mudou de colégio.

Coincidentemente, ela foi estudar no colégio da minha prima. Então, pelo menos uma vez por ano nos encontrávamos, nas festas juninas. Por algum tempo ela me reconheceu, nos cumprimentávamos, conversávamos. Até que um ano ela não me reconheceu mais. "Oi, Carol, lembra de mim?". " Não". Esqueceu. Ou fingiu que esqueceu.

Mas dessa história de caderno, vingança e minha primeira menstruação... Eu nunca vou esquecer.

Respondendo...

Essa foi copy+paste direto do Multiply. Como faz só uns dois dias que respondi, ainda não deu tempo de mudar nada, hehe...

Drogas - Nenhuma ilícita até agora. Tudo o que eu faço tem que estar de acordo com o que eu penso, acredito e concordo, e tem mta coisa envolvida nesse lance de drogas ilícitas pra eu conseguir ter uma opinião formada. Porém, acho que deveriam ser legalizadas. Álcool: demorou mas aprendi, haha! Remédios alopáticos: estou tentando evitar, mas até agora não consegui muito...

Aborto - Direito!!! Já passou da hora de ser legalizado. Perdem-se vidas em nome da defesa da vida! Eu não me imagino fazendo, e nem quero imaginar, porque deve ser uma dor terrível; mas acredito que as conseqüências individuais e coletivas da proibição, seja por não ser feito ou por ser feito da maneira errada, são catastróficas.

Religião - Faz parte do meu ser ler sobre religião, conhecer sobre religião, pensar sobre religião... Pegar o que faz sentido pra mim onde vou, o que me completa. Preciso disso pra viver. Eu gostaria de encontrar UM caminho pr seguir, mas não sei se vou conseguir, porque me encontro e me completo na diversidade. Eu construo meu caminho.

O melhor do dinheiro - Pode parecer piegas, mas ter dindin pra tratar dos meus bichos e dos bichos de rua que aparecem é melhor do que comprar meus badulaques de feirinhas que eu tanto adoro. O problema é que nem sempre eu tenho... Aliás, quase nunca tenho. Mas qdo eu tive, foi muito bom.

No sexo você é... - Divertida!!! E mesmo assim é bom. Ou melhor: justamente por isso é que é bom!!!

Pequenas felicidades - Meu cachorro me receber quando chego em casa, meus camundongos, mesmo ariscos, virem pra grade da gaiola me ver quando chego perto.

Tristezas - Arrependimentos por já ter me machucado e machucado os outros.

Defeito - Procrastinadora, preguiçosa, depressiva, pegajosa e carente quando não sou o centro das atenções. Eca!!!

Qualidade - Até que, apesar de tudo, eu sou uma pessoa legal. E como eu já sei que sou depressiva, tento fazer da vida uma grande festa. Acho isso uma qualidade.

Mania - De bichos, de TV, de filmes, de ler, de internet...

Não suporto - Gente que maltrata bicho. Gente que não respeita as opções dos outros. E esse papinho de que "os jovens de hoje em dia"... Grrrrrrrr...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Respondendo também...

Já respondi no meu Multiply. mas não dá pra manter igual, nunca dá, então este aqui vai ter algumas alteraçõezinhas...

Uma hora: Meia-noite
Um astro: Lua
Um móvel: Escrivaninhas
Um líquido: Suco de laranja
Uma pedra preciosa: Ágata
Uma árvore: A amoreira silvestre do Laboratório de Cães da faculdade.
Uma flor: Rosa
Uma cor: Rosa
Um animal: Rato
Uma música: Qualquer uma do DVD do Underfunk. Tá realmente difícil escolher...
Um livro: Um infantil, lido há muito tempo atrás, relido muitas vezes e libertado há poucos anos, sobre um pato que não quis aprender a voar.
Um lugar: Parque do Piqueri
Um verbo: Experimentar
Uma expressão: "Papagaio que acompanha joão-de-barro, senhora, vira ajudante de pedreiro..."
Um mês: Novembro
Um número: Agora descobri que é 6.
Um instrumento musical: Minha voz
Estação do ano: Verão
Um filme: Antes que termine o dia (If Only)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Agradecendo e Respondendo

Gostaríamos de agradecer ao Alves do blog Máquina de Letras por ter indicado o Café com Dinamite como merecedor do selo de "Mentes Iluminadas". O ideal era indicarmos outros blogueiros e homenageá-los com o selo, mas como aqui somos 5 e além de sermos 5 somos mulheres, fica difícil concordar ao escolher uns poucos nomes, hehehe! Então fica só o selo aí do lado direito, com o link para o post que nos premiou. ;)

Agora deixa eu responder o tal questionário. Alguém ligue o holofote e comece o interrogatório...

Uma hora: 18:00 pm
Um astro: Lua
Um móvel: Cama
Um líquido: Coca Zero
Uma pedra preciosa: Ametista
Uma árvore: Cerejeira
Uma flor: Crisântemo
Uma cor: Azul
Um animal: Gato
Uma música: "Canteiros" (Fagner, c/poema de Cecília Meireles)
Um livro: "O Livro do Desassossego" (Fernando Pessoa)
Um lugar: Grécia
Um verbo: Açoitar
Uma expressão: "extenuada de desejo" (Marguerite Duras)
Um mês: Maio
Um número: 9
Um instrumento musical: Cítara
Uma estação do ano: Inverno
Um filme: "Orgulho e Preconceito" (do livro de Jane Austen)